segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Leisure (2)

Às vezes, eu não queria pensar em nada. Há dias em que eu não queria fazer nada, nem pensar, nem andar, nem respirar. E há dias em que eu queria amar.

Só que eu tenho uma consciência, que me diz que eu estou velho, que eu tenho que ficar quieto, que eu tenho que ir cumprir minhas responsabilidades, e correr, correr, correr...

Eu me vingo comendo gelatina no almoço.



"You're taking the fun
Out of everything
Making me run
When I don't want to think
You're taking the fun
Out of everything
I don't want to think at all

There's no other way
There's no other way
All that you can do
Is watch them play

You're taking the fun
Out of everything
You're making it clear
When I don't want to think
You're taking me up
When I don't want to go up anymore
I'm just watching it all"

10 comentários:

Fenix Rikimaru disse...

Lhe invejo nesse ponto... pois você tem uma consiencia ativa. Sinto como se a minha a algum tempo tivesse me abadonado. E ainda quando saiu deixou a porta aberta para um sociologia barata entrar de mãos dadas à alienação. Mas não posso culpa-la... nem todos damos ouvidos a ela...

espero eu um dia encontrar esse link novamente perdido na internet para ver sua critica resposta a minha aconsientada vida.

Dedalus disse...

Caro(a) fenix,

Não me inveje, não: eu preferia ser um gato, ou um até mesmo personagem de ficção, para não ter essa consciência maledeta... Creia-me: feliz aquele que não tem consciência ou que a deixa em casa antes de sair para o mundo.

Um abraço!

KNX disse...

Vocês estão falando sério? Ou é só um lamento esporádico? Já pensaram quanto mal e sofrimento são causados, principalmente aos outros, quando prevalece essa anomia da consciência?

R.

KNX disse...

Melancolia conscienciosa. Dê uma olhada.

http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/hume.htm

Abs, KNX.

Dedalus disse...

Caro knx,

Obrigado pelo link. Bem, eu não entendo muito sobre a natureza humana, mas entendo que uma coisa pode ser considerada boa se o seu efeito prático é bom. Como regra geral, prega-se, acho eu, que a anomia da consciência é boa para o indivíduo que a tem - "ignorance is bliss" - mas talvez possa ser ruim para a sociedade. No entanto, eu, pessoalmente, estou inclinado a crer que não é bem assim: não ter uma consciência é ótimo inclusive para a sociedade - até onde sei os animais não tem essa tal de consciência (nem sociedade, o que é melhor ainda) e, assim, vivem suas vidas muito bem...

Um abraço!

Rafael Reinehr disse...

Puxa. Sem querer ser mas já sendo, este é um dos blogs mais "filosóficos" que se tem notícia pelo blogverso. Falo dos textos e dos comentários.

Me sinto bem aqui. Acho que é meu desejo de saber.

Rafael Reinehr disse...

Ou será a pulsão por comer gelatina?

KNX disse...

Caro Dedalus

Não vou raciocinar de maneira naturalista porque casos particulares não justificam leis gerais; e certamente há casos onde se bem pode atribuir consciência (moral e epistêmica) a animais: elefantes, golfinhos, cães, gatos e, também, antropóides, tais como nós mesmos, apesar de francamente eu às vezes duvidar de que alguns imbecis a tenham.

A questão é mais valorativa (quid juris) do que factual (quid facto).

Agora eu lhe pergunto: Anda arrependido de haver provado da àrvore do bem o do mal?

A consciência moral dói, mas é por meio dela que reconhecemos quando ocorre solidariedade e compaixão. Já ouvi de casos de pessoas socorrerem outras, levarem ao Hospital, perder um tempão, sem querer nada em troca.

Para finalizar, um dia eu li que o mundo vai como vai porque as pessoas boas são conscienciosas e melancólicas, enquanto que os tolos e malvados são persistentes e resolutos.

KNX

Dedalus disse...

Caro knx,

Nem sei o que lhe responder: na verdade estou me sentindo muito cansado, cansado especialmente de ter que fazer juízos de valor. Há pessoas boas e más, conscienciosas e tolas? Provavelmente, mas eu não sei distinguí-las, ao menos hoje. O que eu consigo, hoje, é realmente sentir a dor da consciência. Pior: a dor da consciência da minha impotência - o que eu penso não vale nada, mesmo que para mim pareça a maior e mais universal verdade possível, mesmo que para mim pareça algo bom em termos práticos. E é essa minha impotência, um fato que eu encaro todo dia no espelho, que tem me deixado, mais do que tudo, cansado - não melancólico. Mas, talvez por sorte, as férias já estão aí, e talvez eu vá poder ficar lambendo meu pelo num canto qualquer, sem ter que pensar em nada por algum tempo. Isso talvez me faça encontrar uma postura mais adequada para os dias vindouros... De qualquer modo, obrigado pela presença: você sempre é mais do que bem-vindo.

Um abraço!

Dedalus disse...

Caro Rafael,

Este não é intencionalmente um blog filosófico - afinal, eu não sou um filósofo, sou um arremedo ou imitação barata de cientista da área de exatas: um cientista de verdade só escreveria textos forrados de equações e, como teria dito de forma concisa um tal de Richard Feynman (Prêmio Nobel), filosofia é "b...s..." (iso está escrito em "A janela de Euclides", de Leonard Mlodinow, Geração Editorial, 2004, página 124).

Um abraço!