sábado, 27 de dezembro de 2008

Guia ilustrado de cinema


E já que eu estou na época do Natal, com algum tempo livre, gastei parte desse tempo em frente à TV, vendo o "Homem de Ferro". Antes eu tinha visto "Kill Bill", volumes 1 e 2, e posso pôr tudo na mesma prateleira mental: filmes para adolescentes.

O "Homem de Ferro" é enormemente superficial e "Kill Bill" é deprimente pela contagem de corpos (e partes de corpos), e ambos são muito inverossímeis, lembrando videogames ou quadrinhos (por que será?). "Kill Bill", em particular, por suas tomadas, cenários e vestuários muitíssimo bem feitos, me lembra uma orquestra sinfônica regida por algum funqueiro carioca tocando "créu, créu, créu"... E funciona: dá vontade de comprar uma espada de samurai e sair por aí cortando pessoas ao meio - e acho que deve dar uma vontade danada nas mulheres de se vingarem tal qual a heroína (?) do filme.

Bem, tem quem diga que Chaplin era um gênio, mas perto desses filmes ele fica parecendo de outro planeta.

(imagem: quem diz que a pena é mais forte que a espada não viu "Kill Bill"; o título dessa postagem é de um livro que me dei de presente nesse Natal)

9 comentários:

Ana Paula disse...

Eu não fiquei com vontade de cortar ninguém ao meio...Achei o filme uma espécie de maneira de esvaziar minha mente de qq pensamento...Foi oq senti.
Dedalus, também tenho visto e re-visto algumas películas. Ontem revi O Piano. Eu gosto ainda mais do que quando vi pela primeira vez. "Nosso acordo faz de você uma prostituta e de mim um miserável"! Uau! Já viu? Chove, chove, chove aqui...

Dedalus disse...

Cara Ana Paula,

Obrigado pela dica: "O piano" é um filme que não consta da minha "lista de filmes que já vi" - ainda...

Quanto a esvaziar o pensamento, parece que é para isso mesmo que serve a maioria dos filmes e músicas atuais.

Eis então uma música que não é atual:
"Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
O meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas, só chove e chove
Mas, só chove e chove"

Um abraço!

Ana Paula disse...

É preciso esclarecer que O Piano é um filme "feminino". Arrisque.
Bj

Dedalus disse...

Cara Ana Paula,

Curioso você dizer isso: conheci uma vez uma moça que me disse que o pior filme que ela já tinha assitido era esse "O piano"... De qualquer modo, está na minha lista.

Um abraço!

Charles Morphy disse...

Olá, Dedalus!
Tenho que discordar com você quanto à sua análise do Kill Bill - é claro que o filme é extraordinariamente exagerado, e foi essa a óbvia intenção do diretor. O Tarantino se inscreve em uma "escola" cinematográfica que remonta à Novelle Vague e ao Godard do começo dos anos 60. Godard dizia que algumas coisas só funcionam no "espaço cinematográfico" e não têm correspondência com a realidade tangível. O cinema, para ela, não precisa estar ancorado no naturalismo para funcionar.
O Tarantino joga no mesmo caldeirão uma quantidade cavalar de referências que são muito mais complexas que um funk carioca qualquer. Kill Bill pode ser visto por adolescentes (ou por adultos com idade mental equivalente) como um simples filme de vingança sengrento. No entanto, se observado com mais cuidado, pode-se extrair coisas bastante interessantes dele.
Chaplin realmente foi um gênio mas não pode ser tomado como a medida de genialidade cinematográfica. Há uma série de outros autores no meu entender mais interessantes que ele, especialmente porque o cinema na época de Chaplin era uma arte ainda pouco desenvolvida (e ele claramente participou desse desenvolvimento). A linguagem cinematográfica do Chaplin, por exemplo, é simplória se comparada à de Eisenstein (e sua montagem dialética), Fritz Lang ou Orson Welles.
Abraço!

Dedalus disse...

Caro Charles,

Discordar é normal e salutar - como dizia um sujeito por aí, "toda unanimidade é burra".

Bom, para mim mais é menos, e violência não é algo maravilhoso, principalmente quando estilizada. Conheço Eisenstein e Welles e acho que eles não falam ao homem comum tanto quanto Chaplin - ou seja, Chaplin, PARA MIM, que sou um homem comum, é mais universal que esses outros caras. Do mesmo modo, Tarantino, cheio de citações, não me agrada: tem citações - e violência, obviamente - demais. Mas note que eu fui assistir "Kill Bill" fisgado por uns trechinhos que vi na TV paga, muito interessantes, e que lembravam outras coisas. Logo, concordo que o sujeito sabe filmar, mas discordo totalmente da temática escolhida por ele.

Enfim, como disse um outro sujeito por aí, "a violência é tão fascinante, e nossas vidas são tão normais, e você passa de noite e sempre vê apartamentos acesos: tudo parece ser tão real, mas você viu esse filme também." A violência pode ser muito fascinante, mas eu prefiro não buscar beleza nela: eu prefiro a beleza de um mundo chapliniano, simples - ou simplória - mesmo, em preto e branco. Entre o arroz e feijão que eu posso servir a quem vier me visitar e uma caldeirada sofisticada que não sei se vai agradar meus pais, eu nem tenho que escolher...

Um abraço!

Ah! Obrigado por me colocar - entendi assim - como adulto com idade mental de um adolescente: eu realmente queria que isso fosse verdade...

Charles Morphy disse...

Sim, ainda bem que existe discordância!
Ah... não te coloquei como adulto com idade mental de um adolescente! Hahaha... isso é problema da escrita sem peer-review! ;) Desculpa!
Você tem razão quanto à exacerbação da violência como ferramenta fácil para abocanhar espectadores. No entanto, acho que o Tarantino se desvia um pouco dos outros diretores que divinizam a violência porque seu discurso desconstrói o tema - isso pode ser visto também nos seus outros filmes, como o Cães de Aluguel e o Pulp Fiction (que acho o melhor deles). Acredito que o Tarantino pense mais ou menos assim: "Vocês acham que o cinema só é divertido se tem violência? Então a violência está aqui! (mas tem um monte de outras coisas nas entrelinhas, mais interessantes, que vocês vão ter que procurar para achar)".
Uma coisa: Eisenstein falava ao homem comum, mas ao homem comum soviético, recém-saído da revolução. O cineasta era patrocinado pelo governo vermelho que tinha justamente a idéia de apresentar o povo soviético (ou criar sua identidade) via cinema. Realmente ele pouco tem a ver com nosso dia-a-dia, mas seu cinema se ramifica em praticamente tudo que se vê na tela grande hoje.
Abraço!

Vanks Estevão disse...

Olá Dedalus, parabéns pelo blog. Sou assinante!

Vim aqui para te convidar para a blogagem coletiva, 2009 Ano Internacional da Astronomia.

Quando tiver um tempo passe no meu blog.

Abraços.

Dedalus disse...

Caro Vanks,

Obrigado pelo toque: eu estou de férias, mas nessa semana estarei de volta...

Um abraço!