terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O africano


Li num fôlego só "O africano", de J.M.G. Le Clézio, autor que, segundo a capa do livro, foi ganhador do Nobel de literatura de 2008. O livro é curto e macio, ou seja, desce suave e redondo, sem problemas. Eu até indicaria como ótima sugestão para alunos de ensino médio ou de sétima e oitava série de vinte anos atrás, mas não para os de hoje, que acho que não lêem, não gostam de quem lê e se pudessem matavam quem inventou a escrita.

A primeira coisa que me veio à mente foi "O amante" de Marguerite Duras, que também é um reencontro de um francês com seu passado na colônia - no caso, a Indochina. E há, é claro, "O estrangeiro" de Albert Camus, que salvo engano, se passa num lugar francês com árabes.

Nostalgia cai bem. Como uísque envelhecido num barril de carvalho. E os europeus adoram ter lembranças e acertos com seu passado "nobre". Eu, daqui da minha periferia do mundo, diria que um romance evocando tempos passados como "Éramos seis" não faria feio diante de textos como esse "O africano" - o que falta é o exotismo chique de nomes como Ogoja, Obudu, Banso...

(imagem: mulheres africanas, da etnia igbo)

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